quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Massa Salarial numa Empresa

Lagos, 02 de Abril de 2012

A massa salarial numa empresa

Já tenho falado e escrito sobre isto, mas agora decidi colocar este assunto no blogue. É muito importante saber até onde a empresa pode ir na atribuição de salários porque se os custos passam a ser superiores às receitas a empresa não dura muito tempo e o bom é que a empresa faça no mínimo um ciclo de vida. É bom para o país e para os que investiram na empresa.

Não há família, empresa, país que sobrevivam muito tempo com despesas superiores às receitas; então é bom não deixar este assunto ao acaso e tentar evitar os limites. Claro que os gestores não se preocupam muito com esta matéria, pois se a empresa onde trabalham for à falência, ninguém lhes vai pedir contas e, depois dos salários chorudos que se atribuíram a si próprios, os amigos lhes encontrarão outras empresas para praticarem os mesmos serviços.

Contudo, pensemos nos gestores idóneos. Esta é uma matéria do foro do planeamento. Assim a sua base são estimativas com base em resultados dos anos anteriores e previsões sobre os mercados porque se uma empresa não conseguir vender o que produz (bens ou serviços) não gera receitas em geral e, portanto os seus recursos humanos “trabalharam para aquecer”.

Em geral, podemos dividir as empresas em empresas de capital intensivo e em empresas de trabalho intensivo e é importante ter isto em consideração para determinar a percentagem das receitas que vai ser atribuída à massa salarial. Contudo neste ponto recordo-me sempre do Japão que sempre estiveram na vanguarda da inovação dos equipamentos desde gadgets, computadores e computação, robôs, … Começaram substituindo homens/mulheres por máquinas, mas depressa perceberam que as máquinas não compram nem os produtos que produzem; só homens e mulheres. Então desistiram de lutar pelos 100% de informatização e estabeleceram metas mais baixas e começaram a lutar pelo pleno emprego porque são os trabalhadores manuais (de colarinho azul), os operacionais e a classe média que fazem a maior parte das compras e, portanto dão oportunidade ao escoamento da produção. Assim subiram os salários mínimos para um nível razoável para que estes pudessem comprar mais.

Porque é que isto acontece? Tem tudo a ver com psicologia e sociologia e as expectativas que as receitas de cada um permitem. Agora ocorreu-me o facto do nosso presidente da república atual se queixar de que os seus dez mil euros não chegam para as suas despesas; pois as despesas de um presidente da república são muito superiores e as suas necessidades às necessidades e despesas dos operacionais ou trabalhadores manuais. São de outro tipo/género; mas quem compra mais na economia portuguesa e em maior quantidade são os operacionais/trabalhadores manuais se lhes derem essa possibilidade porque são em muito maior número.

As expectativas dos operacionais/trabalhadores manuais não são de grandes investimentos/poupanças porque as suas receitas não lhes permitem ter esses sonhos. Os seus sonhos baseiam-se em dar uma vida melhor aos filhos, em conviver/socializar e comprar objectos que lhes dêem conforto e estatuto social que atribuem aos objectos mais caros e o marketing faz o resto, pois estes estratos são mais influenciáveis.

Portanto, o melhor é fazer uma estimativa baseada num valor médio de receitas da empresa. Considera-se esse valor 100% e 100% para a divisão da receita pelos custos da empresa e atribuem-se percentagens:

  • manutenção e renovação do equipamento;
  • reservas;
  • despesas fixas e variáveis (excluindo a massa salarial);
  • massa salarial;
  • lucro da empresa;
  • ..

Quando todas as áreas de despesas estão inseridas e perfazem os 100%; pega-se na massa salarial que se considera 100% e subdivide-se por vários níveis. Cada vez mais há menos níveis salariais porque o homem-máquina da linha de montagem vai sendo substituído por equipas de trabalho mais qualificadas e com mais responsabilidades no que fazem e o salário deixa de ser fixo para passar a ter uma parte fixa e uma parte variável dependendo do desempenho e das decisões da equipa de trabalho.

Quantos níveis salariais? Depende do sector onde está inserida a empresa e das qualificações dos seus recursos humanos.

Depois faz-se o mesmo para cada um dos outros itens atribuídos.

Depois talvez se possam usar estes parâmetros por uns cinco anos … depende de vários factores como nível de utilização da capacidade instalada, da rotação dos produtos em armazém, da possibilidade de encontrar novos mercados, da vontade dos gestores, ….  
O mesmo processo  pode ser usado para elaborar o Orçamento Nacional para o ano seguinte. Prevê-se qual será o PIB e considerando-o 100%, faz-se a sua distribuição, em percentagem, pelos itens das despesas para o ano seguinte. Não esquecer Despesas Extraordinárias que, em princípio, não deve ser usado na totalidade para ajudar os outros itens em que foi necessário desequilibrar para o défice, deslocando este valor do saldo agora do Balanço Nacional.
Por exemplo, os itens Educação, Justiça, Saúde, Defesa, … são-lhes atribuídas percentagens do PIB; depois cada uma destas percentagens é considerada 100% que se distribui pelos subitens. Por exemplo: Educação terá como subitens Nível pré-escolar, Ensino Básico, Ensino Unificado, Ensino Secundário, Ensino Universitário pelos quais serão distribuídos os 100% de Educação. De seguida, cada um destes itens pode ser considerado 100% que serão distribuídos por subitens como Recursos Humanos, Renovação do Parque Escolar, Equipamentos, … O que faltar da atribuição do PIB poderá ser colmatado com capitais privados ou não, mecenas …, beneficiando-os com incentivos fiscais na medida do possível.
Claro que todas estas atribuíções têm conscientemente uma escolha política. Por isso, este instrumento de trabalho para a elaboração de Orçamentos pode sempre ser corrigido pela força política que está no Governo do país. Agora é importante não permitir derrapagens, pois cada um sabe de antemão com o que pode contar do PIB e a necessidade de recorrer ou não a outros capitais.
São previsões que podem ajudar muito no equilíbrio dos Balanços.

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sábado, 31 de dezembro de 2011

Boas Festas 2011

Venho desejar-vos que a festa do Natal tenha sido passada com muita alegria, saúde, paz e amor e toda a época natalícia o seja também e desejo o mesmo para a Passagem do Ano e que o Novo Ano de 2012 seja melhor do que este que está a terminar. Tudo de bom!
Saudações em Jesus Cristo e Maria
Maria Figueiras

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sim ao Euro ou sim ao Escudo

Lagos, 28 de Novembro de 2011
Sim ao Euro ou sim ao Escudo
Grande polémica vai por este país sobre se sim ao Euro ou sim ao Escudo e eu pasmo.

Ainda há tão poucos anos foi criado o Euro!

Agora as razões (motivos) para se voltar ao Escudo são as mesmas que se utilizaram para aderir ao Euro. Quem não se lembra, mesmo os da última geração, os jovens, dos problemas inerentes à inflação:

1- muitas notas, mas cada vez se comprava menos com elas e porquê?

Sem haver aumento da produtividade o Banco Central de Lisboa produzia mais moeda (e notas); então as por exemplo 1000 notas atuais tinham o mesmo valor que as 100 anteriores. Logo poder-se-ia ter mais dinheiro na carteira, mas comprava-se muito menos do que se comprava anteriormente. Logo ganhava-se o mesmo ou um pouco mais, mas quem não tinha bens estava cada vez mais pobre. Isto porque o Banco Central de Lisboa não precisava de anunciar ao povo que tinha lançado no país mais notas e moedas. Então quando as empresas aumentavam os salários depois de muita insistência dos sindicatos, elas sabiam que poderiam aumentar até um certo um ponto que os trabalhadores ficariam na mesma com menos poder de compra, mas felizes porque os seus salários tinham sido aumentados nominalmente apenas e os sindicatos falavam em salários nominais e salários reais. Por outro lado, quem tinha bens (de valor ou não) poderia vendê-los por um preço muito superior, descontando a inflação que é, muito simplesmente, em maior ou menor escala, o lançamento em circulação de meios de pagamento para além das necessidades do movimento económico.

Esta acção pode ser benéfica e mesmo necessária quando feita em pequena escala e com rigor e porquê? Há sempre dinheiro a sair do país: emigrantes que, quando se deslocam ao seu país levam a moeda do país onde trabalham para cambiar no seu próprio país; há turistas que levam dinheiro do país visitado para guardarem para recordação; há coleccionadores; há paraísos fiscais; há a corrupção que lava este dinheiro fora do país; … Então vai havendo cada vez menos moeda a circular no país e periodicamente o Banco Central do país emite moeda que lança para o mercado através do bancos de que nós somos clientes para colmatar esta falta. Assim não se sente a falta do dinheiro que saiu e a inflação é diminuta, não provocando nem aumentos de salários nem aumentos nos preços.

Agora o que se passa atualmente é bem diferente. Não há dinheiro a circular no país, na Europa, isto é, os bancos de que somos clientes não têm dinheiro porque há problemas muito graves a acontecer:

1- Há os paraísos fiscais que absorvem muito dinheiro europeu e aqueles encontram-se fora da Europa; logo esse dinheiro não circula na UE. Pode circular noutros países, mas não na UE.

2- O Euro incomodou muita gente porque veio desafiar o dólar que era a moeda internacionalmente aceite e moeda corrente em bastantes países. Isso fez com que se elaborassem estratégias para fazer o euro cair e o dólar voltar a ganhar o seu poder, pois o câmbio faz perder muito dinheiro.

A UE veio desafiar os blocos instituídos e os blocos emergentes e atacando a moeda – Euro – enfraquece-se também o próprio bloco – União Europeia. Como? retirando moeda do mercado. Vários têm sido os meios: emigrantes, facilitando o crédito e o endividamento exageradamente, os paraísos fiscais, exportando e não importando, …

Então o normal seria a União Europeia lançar em circulação meios de pagamento para além das necessidades do movimento económico. Depois o que fazem aqueles que retiveram enormes quantidades de Euros? Lançam-nos na União Europeia através dos seus emigrantes, turistas, concedendo créditos vantajosos e então o que acontece? Quem tem esses Euros faz compras: compra bens móveis e imóveis como empresas, bancos, … passa a dominar a economia, as finanças, … passa a dominar a União Europeia. Quando o país, UE superabunda de moeda que medidas tomam os governos? Promovem a subida dos preços e instala-se a inflação desordenada, sem controlo.

Claro que tudo isto são apenas suposições, mas é assim que se faz o dia-a-dia de todos nós.

A União Europeia pediu aos países emergentes que lhes comprassem dívida soberana, mas não é a altura adequada para quem quiser fazer algo de grande vulto. Esperam que primeiro os Bancos Centrais produzam e lancem quantidades de Euros nos países da União Europeia para suplantar a falta de moeda que atualmente existe. Depois sim, a Europa ficaria a nadar em Euros nas mãos de alguns que passariam a fazer muitas compras.(parece-me)


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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Há impostos e impostos

Trata-se apenas de um comentário, uma mera opinião.

Lagos, 15 de Novembro de 2011
Há várias políticas de impostos. Cada Governo segue as suas. A um Governo Social-Democrata espera-se que tenha políticas principalmente sociais. Por isso, é eleito. Como social-semocrata que sou, acho que, em altura de crises, os impostos devem manter-se baixos para evitar a recessão e, se possível, ajudar ao crescimento do sector da economia, pois é esse que gera riqueza de onde se vai buscar as receitas dos impostos. Se se aumentam os impostos em época de crise, “mata-se a galinha dos ovos de ouro” e depois não há ouro para ninguém; destrói-se o sector produtivo e as famílias e cada vez é menor a receita dos impostos porque o Governo levou quase todos à falência. Agora quando se quer mudar a classe empresarial, quando se quer mudar a estrutura empresarial; aí os meios justificam os fins (será?).

Pois bem, mas além disso, há outras matérias também muito importantes, neste caso, para Portugal:
  • trata-se dos impostos sobre o turismo – Portugal, cada vez mais, vive do turismo já que se destrói o seu tecido empresarial produtivo; então para não matar mais uma das poucas “galinhas dos ovos de ouro” que temos, os impostos sobre este sector têm de ser dos mais baixos da União Europeia e países congéneres. O motivo é claro: atrair os turistas para as várias e variadas belezas do nosso país e dar a conhecer ainda mais belezas que não estão ainda expostas porque (claro), aumentando as receitas do turismo, aumenta-se a receita dos impostos (não é a carga fiscal que o Governo recebe, mas sim as receitas dessa carga fiscal.)
  • trata-se dos impostos sobre a cultura – os portugueses de Portugal andam a viver uma das piores crises de que se lembram e isso deixa-nos desanimados, deprimidos e até revoltados o que não é bom para a economia e a estabilidade do país; então a cultura tem um papel importantíssimo a desempenhar neste momento em que não há presente e parece que não há futuro para ninguém. A cultura não aparece como panaceia, mas sim como uma oportunidade de conhecer outras vidas, outras culturas, outros pensamentos … Fazer trocas de espectáculos com companhias estrangeiras … é necessário levar os portugueses a esquecer por momentos as suas agruras e pensar noutras coisas, noutras situações, procurar encontrar saídas … Aliviar a alma! É necessária uma política de incentivo de deslocamento dos portugueses aos lugares onde se faz cultura, pagando o Estado uma percentagem do preço do bilhete para aqueles de mais baixos recursos e é necessário que os impostos sejam dos mais baixos da carga fiscal para que as companhias consigam manter-se e fazer o seu trabalho. Na história de qualquer país, isto sempre aconteceu. Só por ignorância, não se toma em atenção este factor – a cultura;
  • trata-se da defesa das nossas fronteiras – Portugal é um país fronteiriço e é também fronteira da União Europeia. Portugal não pode descurar a defesa das suas linhas de fronteira até como elemento dissuasor. Sabemos das apetências de muitos por este pedacinho de terra. É importante a sua defesa para não se tornar numa “república das bananas” que já está muito a caminho disso.  

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Medidas Problemáticas

Lagos, 06 de Novembro de 2011
A economia pertence aos grupo das Ciências Humanas porque o seu objecto e objectivo último são as pessoas. Principalmente quem governa, seja a que nível for, não pode esquecer que toma decisões para o desenvolvimento do país que existe pela sua população e que directa ou indirectamente vai afectar pessoas positivamente ou negativamente. E também não pode esquecer que está a governar para toda a população; não só para a que o(a) elegeu. Todos são afectados pelas suas medidas e a sua obrigação é manter a população num nível satisfatório geral. Quem se sente prejudicado/injustiçado tem todo o direito de reclamar e há que ter essas reclamações em atenção porque elas são o barómetro dos resultados/consequências das medidas que vai tomando, para corrigir. Sem este barómetro poderia trabalhar muito, mas como não corrige por ignorância, vai de mal a pior até fazer cair num abismo toda a população. É muito importante qualquer governante estar atento às vozes e movimentações da sociedade em geral para ir fazendo as devidas correcções. 
Decidir cortar os subsídios de dois salários: 13.o e 14.o talvez para dar margem de negociação à oposição; foi uma decisão errada politicamente porque dá vantagem política à oposição e faz a linha política onde está inserido perder posições, pois é uma medida que afecta muita gente negativamente. É mau jogo dar tantos pontos ao adversário!
Se achava que poderia cortar apenas o subsídio de um salário; isso deveria ter apresentado logo, talvez não ganhasse pontos, mas também não perdia, oferecendo bastantes pontos à oposição. Qualquer governante está sempre a fazer política, mesmo que o seu ministério seja economia.

As empresas privadas agradecem que a Segurança Social corte estes subsídios só aos funcionários públicos e reformados e não ao sector privado; talvez o objectivo seja inverter a posição procura/interesse entre privado e estatal, demonstrando que cada vez mais o privado está a ficar mais aliciante do que o estatal. Têm esse direito!

Por outro lado, sugerir às empresas aumentar em meia-hora o horário de trabalho dos seus colaboradores, pagando o mesmo salário, para participarem no aperto que os funcionários públicos estão a sofrer para se ultrapassar a crise (?) talvez cortar-lhes estes subsídios ajudasse e não criaria vítimas e privilegiados numa sociedade tão pequena e com uma classe média tão sofrida, também foi uma decisão infeliz. As pessoas não são máquinas. As máquinas, pomo-las a trabalhar mais meia-hora e elas produzem o correspondente a essa meia-hora de produção dentro do estabelecido para produzirem.  
Então se as pessoas fossem máquinas (só que as máquinas não consomem o que é produzido só as pessoas), a empresa aumentaria talvez a sua produtividade porque

PRODUTIVIDADE DO TRABALHO – Valor acrescentado bruto (VAB) por trabalhador. Obtém-se dividindo o VAB da empresa pelo número de trabalhadores ao seu serviço. Mede a eficiência das firmas na utilização dos recursos humanos. Comparações entre a produtividade de empresas de diferentes sectores devem ser feitos com cuidado. Tal como entre sectores de actividade diferente se deve cuidadoso. Por exemplo, uma indústria de capital intensivo terá, em condições normais, uma produtividade do trabalho superior a uma indústria de mão-de-obra intensiva.

VALOR ACRESCENTADO BRUTO (VAB) – Soma das vendas totais, trabalhos para a própria empresa, variação de produções, subsídios destinados à exploração e receitas suplementares, menos os consumos intermédios. Alternativamente, o VAB poderia ser calculado somando os impostos directos, despesas com o pessoal, despesas financeiras, outras despesas e encargos, amortizações, reintegrações e provisões do exercício, perdas extraordinárias do exercício e de exercícios anteriores e resultados líquidos e subtraindo as receitas financeiras correntes, ganhos extraordinários do exercício e de exercícios anteriores.

Contudo, há que ter em atenção que mais meia-hora de trabalho implica obrigar pais e mães a ficarem aflitos com os seus filhos que estão à sua espera e mil e uma tarefas domésticas que ficam atrasadas porque estes colaboradores não ganham para ter empregadas(os) que façam estas tarefas por eles como muitos dos decisores. Então significa que eles não vão produzir o que produzem nos seus tempos mais produtivos. Pelo contrário, porque eles já estão cansados e desmotivados é muito natural que haja bastantes acidentes de trabalho neste período o que vai provocar a ausência dos acidentados por um período mais ou menos longo; logo diminuição do índice de produtividade.

Por outro lado, ter a empresa a laborar mais meia-hora implica aumento dos custos fixos, pelo menos.

E o que é que o Estado recebe a mais por toda esta situação supostamente a criar?

Nada, porque na verdade, se a empresa não conseguir vender este suposto excedente de produção não realiza dinheiro, aumenta os custos dos produtos em armazém e os seus lucros não apresentam aumentos no final do exercício anual e portanto não há aumento de impostos para o Estado.

Na verdade, esta medida sugerida parece mais um castigo para os trabalhadores do privado, significando que o cortes nos salários do sector estatal é feito como um castigo. Mas como? De que culpa são estes acusados? Não foram eles os causadores da crise em nenhuma fase desta.

Estamos numa fase de recessão e muitas empresas não conseguem vender o que produzem ou os serviços que prestam e por isso há tantas empresas a falir. Como se justifica este suposto aumento de produção? Os empresários/gestores devem pensar 'mas vamos vender este excedente de produção a quem? Só se for ao Senhor Ministro!!!!'

Nada disto faz sentido!!!!!!!!

A solução não está em aumentar a produção, baixando o custo da mão-de-obra operacional que está a um nível terceiro-mundista e, por isso, com o apoio dos restantes países da UE, nos últimos tempos, Portugal vinha a aumentar anualmente o salário mínimo. Agora temos problema quando a empresa paga salários terceiro-mundistas aos colaboradores operacionais e paga salários superiores aos salários dos quadros superiores congéneres nos países mais desenvolvidos economicamente da União Europeia quando eles apresentam volumes de vendas muito superiores aos das empresas portuguesas. A solução não passa por escravizar os colaboradores operacionais, mas resolver o problema dos salários dos quadros superiores e encontrar mercados para vender a produção nacional.   
mailto:maria.c.figueiras.portugal@gmail.com

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"As Empresas e o Talento" de Luís Monteiro

in revista EXAME n.o320 de Dezembro de 2010; editora IMPRESA Publishing, Lisboa.
As empresas e o talento”; texto de Luís Monteiro; pp.80-84.
Luís Monteiro, 31 anos, integra a direcção corporativa de recursos humanos do grupo Mota-Engil, tendo desempenhado funções de consultoria na Deloitte e na PCA.
Num estudo desenvolvido na Universidade do Minho, em 2009, direccionado para as 500 maiores e melhores empresas em Portugal que adoptavam melhores práticas de gestão de pessoas e as variações ao nível dos seus resultados financeiros, concluíu-se que
o índice de rotatividade das empresas em globalmente baixo (x7%). Nas funções de direcção, este índice foi de (x4%); isto é, em cada 100 colaboradores com funções de direcção, registaram-se 4 saídas voluntárias;
o índice de melhores práticas de gestão de pessoas (±46%); isto indica que a baixa rotatividade tem a ver com a baixa dinâmica do mercado do trabalho e da mobilidade das pessoas interempresas devido ao reduzido leque de alternativas e a aversão à mudança.
Esta conjugação de factores cria um baixo nível concorrencial na aquisição/desenvolvimento de talento nas empresas, retraindo o processo de transformação e modernização dos ambientes organizacionais em que o colaborador se sente e atua como um elemento diferenciador no serviço prestado pela empresa.
O mercado é relativamente estático (as novas oportunidades que surgem são escassas), fechado (as pessoas têm uma predisposição baixa para encararem mudanças), o risco é baixo (a probabilidade de perda de quadros com um know-how crítico para o negócio é reduzida) e vigora o princípio da manutenção do status quo (as empresas e pessoas que se mantenham ligadas às suas posições dominantes e relações de confiança, têm maior probabilidade de vencer).
Custo de oportunidade por explorar nas empresas portuguesas:
custo da perda marginal dos melhores – as empresas que não constroem ambientes que promovam um clima de estímulo e orientação para o desempenho correm o risco de perder os colaboradores que devem reter (e que são absorvidos pelo mercado de trabalho por valorizar as suas características distintivas) e de reter os que devem perder (e se mantêm acomodados às suas posições). Nestas empresas, os colaboradores que saem são tendencialmente aqueles que detêm melhor potencial e, por isso, se tornam atractivos para outras empresas que os procuram.
Custo da improdutividade – a) a existência de uma relação de causa-efeito entre a adopção de melhores práticas e a margem de lucro e produtividade registadas. As empresas que registaram um índice de utilização de melhores práticas, obtiveram ganhos de lucro e produtividade superiores; b) relativamente ao volume de vendas por colaborador, o cluster de empresas que apresentou um maior índice de utilização de melhores práticas de gestão de pessoas, registou aprox. mais 300 mil euros/ano de vendas por colaborador do que o cluster inferior.
Custo da lenta estagnação – a conjugação de factores como a exiguidade de alternativas no mercado de trabalho, ambientes organizacionais pouco estimulantes e um rácio de renovação de pessoas baixo deriva frequentemente para um processo de lenta estagnação com consequências evidentes na capacidade de inovação e mudança.
Estes fenómenos levam a que
a evolução demográfica – estima-se que Portugal esteja entre os três países da OCDE com uma taxa de decrescimento demográfico mais acentuada ate 2050. isto significa uma população predominantemente envelhecida, estática do ponto de vista da dinâmica de movimentação no mercado de trabalho, produzindo mais custos e estimulando menos o emprego.
O progressivo achatamento das empresas – nos países mais desenvolvidos existem inúmeras organizações de pequena dimensão a funcionarem em rede. A visão vertical da empresa com oportunidades de ascensão virtualmente para todos é cada vez mais remota e a reduzida fluidez na movimentação de profissionais interempresas não constitui, muitas vezes, uma via alternativa ao crescimento e progressão.
A inadequação entre a qualificação e as necessidades das empresas – À medida que as empresas se especializam e atuam em mercados mais exigentes, estão a sentir maior necessidade em identificar profissionais que reúnam características específicas. Estas são geralmente competências transversais (de liderança, comunicação, relacionamento interpessoal, resiliência, ...), experiência em diferentes empresas/mercados com nível de sofisticação significativo (daí a valorização crescente de experiências em empresas/mercados internacionais) e capacidades técnicas e analíticas fortes. Este acumulado de experiência e know-how é ainda pouco desenvolvido nas universidades e pouco acessível no nosso mercado.
Efeito das "algemas de ouro" – o carácter relativamente estático do mercado, a mentalidade de aversão ao risco e à mudança, a existência de práticas pouco evoluídas de gestão de pessoas, tem criado um fenómeno designado por "algemas de ouro". Nas últimas décadas, profissionais inseridos em ambientes de trabalho pouco exigentes e estimulantes, com baixas alternativas de mudança foram ascendendo num sistema de gestão que privilegiava mais a lealdade (por via da natiguidade) do que o mérito (por via do desempenho). Estes profissionais encontram-se atualmente instalados nas suas posições com reconfortantes pacotes de benefícios que constituem um forte desincentivo à mudança. Para agravar, devido à rápida obsolescência do conhecimento técnico e das alterações da configuração dos negócios, o mercado não está atualmente disposto a pagar a estes profissionais as condições que possuem face às competências que apresentam (muitas vezes inadequadas aos novos standards exigidos). Este fenómeno, para além de dificultar ainda mais o processo de mudança e renovação organizacional, constitui uma fonte de improdutividade e estagnação.
Ao nível da economia, importa inverter o peso excessivo que o sector não-transacionável detém na economia portuguesa, a reduzida exigência na regulação de determinadas indústrias, a concentração do capital nalguns sectores, a baixa dinâmica do investimento.
Nas empresas, incorporar mais conhecimento no processo de criação de valor, construir culturas mais participativas e horizontais em que a partilha de ideias decorre não só do topo para a base, mas de baixo para cima, envolver os colaboradores nos processos de tomada de decisão, estimular a mobilidade interna dos profissionais através de carreiras em zigue-zague, estruturar processos mais exigentes de atracção do talento, premiar o mérito baseado no desempenho e apostar na formação contínua e retenção dos melhores profissionais.
Ao nível das pessoas, incentivar o nível de (re)qualificação nas áreas das tecnologias de informação e comunicação, energia, saúde e serviços especializados, estimular comportamentos de empreendedorismo quer no contexto do mercado, criando novos projectos profissionais quer no contexto da empresa, contribuindo para a prospecção de novas áreas de negócio, desenvolver competências sociais, apostar na diversificação das experiências profissionais e acompanhar o estado-da-arte das diferentes áreas de conhecimento que estão a alterar os padrões de funcionamento nos domínios da atuação a nível internacional.
A atuação sobre estes três níveis é uma condição essencial para se sedimentar uma cultura que valorize o mérito versus estatuto, a inteligência versus improviso, o esforço versus facilitismo, a abertura à mudança versus conformismo, a aprendizagem contínua versus qualificações adquiridas porque são estes os ingredientes com os quais se compete e se competirá cada vez mais na arena global.
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