segunda-feira, 23 de abril de 2012

A Câmara Alta do Parlamento


Lagos, 23 de Abril de 2012

sobre A Câmara Alta do Parlamento

Gostaria que o Parlamento Português voltasse a ter Senado, Câmara Alta. Acho que precisa dessa autoridade para servir melhor, com mais conhecimento de causa os seus eleitores. Há muito amadorismo, alguma irresponsabilidade no parlamento que temos tido.

Não é necessário aumentar o número de deputados no seu todo. Apenas há que estabelecer a distribuição a dar ao número de deputados que se queira no parlamento: uma percentagem para o senado ou câmara alta e a percentagem complementar para a câmara baixa.

Os deputados da cãmara baixa seriam escolhidos como tem sido habitual e os deputados do senado seriam escolhidos entre os expresidentes do Parlamento, da República e exprimeiros-ministros. A experiência, maturidade e idoneidade destes dariam mais credibilidade aos outros e mais assertividade na elaboração de leis e tomadas de decisão. Há só que criar a legislação necessária para este sistema passar a vigorar e vontade política, claro.❐

sexta-feira, 23 de março de 2012

As Juntas de Freguesia de Pequena Densidade Populacional


Lagos, 23 de Março de 2012

sobre A Extinção de Bastantes Freguesias de Pequena Densidade Populacional
Tenho vindo a presenciar nos tempos mais recentes uma grande angústia e sofrimento da parte das populações das freguesias de pequena densidade populacional e, apesar de me angustiar com tanto sofrimento, tenho-me mantido em silêncio esperando que o bom-senso chegue e tudo se resolva. Contudo parece-me que o braço-de-ferro está cada vez mais forte e assim vou participar.
Eu ainda sou do tempo em que as Juntas de Freguesia, criadas após o 25 de Abril, não tinham qualquer capacidade económica ou política para resolverem os problemas que todos os dias lhes chegavam e cujas populações não se deslocavam à Câmara Municipal porque lhes ficava longe e também porque as suas queixas caíriam em saco roto. A Câmara Municipal está-lhes distante a todos os níveis e está mais interessada em obras públicas de vulto que deixem marca de desempenho do seu presidente. É esta a grande diferença entre câmaras municipais e juntas de freguesia; o orçamento da Junta de Freguesia faz parte do orçamento da Câmara Municipal e os seus trabalhos complementam-se. Foi grande e de muitos anos a luta das Juntas de Freguesia para adquirirem esta capacidade e conseguirem a Associação Nacional de Freguesias (ANAFRE).
Acho que está a haver muita confusão da parte do Governo nesta matéria. O que a Troika pede e não exige é que o orçamento estatal emagreça porque está superior à receita, mas uma das grandes obrigações do Estado é manter aqueles que lhe pagam minimamente satisfeitos nos seus direitos básicos e não são as Juntas de Freguesia que contribuiram para o despesismo do Estado. O despesismo do Estado tem a ver com muita má gestão dos dinheiros públicos por ignorância ou má-fé ou ambas. Talvez os órgãos centrais que nos têm governado tivessem algo a aprender com a gestão que estas Juntas de Freguesia fazem com tão pouco orçamento. Estão simplesmente a atacar o elo mais fraco. O despesismo de Câmaras Municipais talvez não passe por despesismo das Juntas de Freguesia.
Proponho que haja bom-senso e se ataque as fontes de despesismo e se deixe as populações com as suas Juntas de Freguesia que tão importantes têm sido para as populações.
Já que o problema para o Governo é o orçamento das Câmaras Municipais, proponho que as Juntas de Freguesia que estão em risco de extinção criem uma sub-associação da ANAFRE para dialogarem com quem de direito e fazerem contrapropostas para diminuir a carga salarial destas e a manutenção do seu espaço físico nos municípios já que é este o problema, pois as outras despesas são de manutenção e realização de empreendimentos necessários ao país real.
Há tanto voluntariado e espaços físicos cedidos gratuitamente a tantas associações; que façam o mesmo para as Juntas de Freguesia que com imaginação e engenho, como é característica do povo português, verão diminuidas as suas despesas e mantenham as Juntas de Freguesia como elo de proximidade com as populações e que tão necessárias têm sido ao país.❐ 


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1.º – As Amendoeiras em Flor e o Corridinho Algarvio.wmv
2.º – O Cemitério de Lagos

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A Massa Salarial numa Empresa

Lagos, 02 de Abril de 2012

A massa salarial numa empresa

Já tenho falado e escrito sobre isto, mas agora decidi colocar este assunto no blogue. É muito importante saber até onde a empresa pode ir na atribuição de salários porque se os custos passam a ser superiores às receitas a empresa não dura muito tempo e o bom é que a empresa faça no mínimo um ciclo de vida. É bom para o país e para os que investiram na empresa.

Não há família, empresa, país que sobrevivam muito tempo com despesas superiores às receitas; então é bom não deixar este assunto ao acaso e tentar evitar os limites. Claro que os gestores não se preocupam muito com esta matéria, pois se a empresa onde trabalham for à falência, ninguém lhes vai pedir contas e, depois dos salários chorudos que se atribuíram a si próprios, os amigos lhes encontrarão outras empresas para praticarem os mesmos serviços.

Contudo, pensemos nos gestores idóneos. Esta é uma matéria do foro do planeamento. Assim a sua base são estimativas com base em resultados dos anos anteriores e previsões sobre os mercados porque se uma empresa não conseguir vender o que produz (bens ou serviços) não gera receitas em geral e, portanto os seus recursos humanos “trabalharam para aquecer”.

Em geral, podemos dividir as empresas em empresas de capital intensivo e em empresas de trabalho intensivo e é importante ter isto em consideração para determinar a percentagem das receitas que vai ser atribuída à massa salarial. Contudo neste ponto recordo-me sempre do Japão que sempre estiveram na vanguarda da inovação dos equipamentos desde gadgets, computadores e computação, robôs, … Começaram substituindo homens/mulheres por máquinas, mas depressa perceberam que as máquinas não compram nem os produtos que produzem; só homens e mulheres. Então desistiram de lutar pelos 100% de informatização e estabeleceram metas mais baixas e começaram a lutar pelo pleno emprego porque são os trabalhadores manuais (de colarinho azul), os operacionais e a classe média que fazem a maior parte das compras e, portanto dão oportunidade ao escoamento da produção. Assim subiram os salários mínimos para um nível razoável para que estes pudessem comprar mais.

Porque é que isto acontece? Tem tudo a ver com psicologia e sociologia e as expectativas que as receitas de cada um permitem. Agora ocorreu-me o facto do nosso presidente da república atual se queixar de que os seus dez mil euros não chegam para as suas despesas; pois as despesas de um presidente da república são muito superiores e as suas necessidades às necessidades e despesas dos operacionais ou trabalhadores manuais. São de outro tipo/género; mas quem compra mais na economia portuguesa e em maior quantidade são os operacionais/trabalhadores manuais se lhes derem essa possibilidade porque são em muito maior número.

As expectativas dos operacionais/trabalhadores manuais não são de grandes investimentos/poupanças porque as suas receitas não lhes permitem ter esses sonhos. Os seus sonhos baseiam-se em dar uma vida melhor aos filhos, em conviver/socializar e comprar objectos que lhes dêem conforto e estatuto social que atribuem aos objectos mais caros e o marketing faz o resto, pois estes estratos são mais influenciáveis.

Portanto, o melhor é fazer uma estimativa baseada num valor médio de receitas da empresa. Considera-se esse valor 100% e 100% para a divisão da receita pelos custos da empresa e atribuem-se percentagens:

  • manutenção e renovação do equipamento;
  • reservas;
  • despesas fixas e variáveis (excluindo a massa salarial);
  • massa salarial;
  • lucro da empresa;
  • …..

Quando todas as áreas de despesas estão inseridas e perfazem os 100%; pega-se na massa salarial que se considera 100% e subdivide-se por vários níveis. Cada vez mais há menos níveis salariais porque o homem-máquina da linha de montagem vai sendo substituído por equipas de trabalho mais qualificadas e com mais responsabilidades no que fazem e o salário deixa de ser fixo para passar a ter uma parte fixa e uma parte variável dependendo do desempenho e das decisões da equipa de trabalho.

Quantos níveis salariais? Depende do sector onde está inserida a empresa e das qualificações dos seus recursos humanos.

Depois faz-se o mesmo para cada um dos outros itens atribuídos.

Depois talvez se possam usar estes parâmetros por uns cinco anos … depende de vários factores como nível de utilização da capacidade instalada, da rotação dos produtos em armazém, da possibilidade de encontrar novos mercados, da vontade dos gestores, ….  
O mesmo processo  pode ser usado para elaborar o Orçamento Nacional para o ano seguinte. Prevê-se qual será o PIB e considerando-o 100%, faz-se a sua distribuição, em percentagem, pelos itens das despesas para o ano seguinte. Não esquecer Despesas Extraordinárias que, em princípio, não deve ser usado na totalidade para ajudar os outros itens em que foi necessário desequilibrar para o défice, deslocando este valor do saldo agora do Balanço Nacional.
Por exemplo, os itens Educação, Justiça, Saúde, Defesa, … são-lhes atribuídas percentagens do PIB; depois cada uma destas percentagens é considerada 100% que se distribui pelos subitens. Por exemplo: Educação terá como subitens Nível pré-escolar, Ensino Básico, Ensino Unificado, Ensino Secundário, Ensino Universitário pelos quais serão distribuídos os 100% de Educação. De seguida, cada um destes itens pode ser considerado 100% que serão distribuídos por subitens como Recursos Humanos, Renovação do Parque Escolar, Equipamentos, … O que faltar da atribuição do PIB poderá ser colmatado com capitais privados ou não, mecenas …, beneficiando-os com incentivos fiscais na medida do possível.
Claro que todas estas atribuíções têm conscientemente uma escolha política. Por isso, este instrumento de trabalho para a elaboração de Orçamentos pode sempre ser corrigido pela força política que está no Governo do país. Agora é importante não permitir derrapagens, pois cada um sabe de antemão com o que pode contar do PIB e a necessidade de recorrer ou não a outros capitais.
São previsões que podem ajudar muito no equilíbrio dos Balanços.❐

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sábado, 31 de dezembro de 2011

Boas Festas 2011

Venho desejar-vos que a festa do Natal tenha sido passada com muita alegria, saúde, paz e amor e toda a época natalícia o seja também e desejo o mesmo para a Passagem do Ano e que o Novo Ano de 2012 seja melhor do que este que está a terminar. Tudo de bom!
Saudações em Jesus Cristo e Maria
Maria Figueiras

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Sim ao Euro ou sim ao Escudo

Lagos, 28 de Novembro de 2011
Sim ao Euro ou sim ao Escudo
Grande polémica vai por este país sobre se sim ao Euro ou sim ao Escudo e eu pasmo.

Ainda há tão poucos anos foi criado o Euro!

Agora as razões (motivos) para se voltar ao Escudo são as mesmas que se utilizaram para aderir ao Euro. Quem não se lembra, mesmo os da última geração, os jovens, dos problemas inerentes à inflação:

1- muitas notas, mas cada vez se comprava menos com elas e porquê?

Sem haver aumento da produtividade o Banco Central de Lisboa produzia mais moeda (e notas); então as por exemplo 1000 notas atuais tinham o mesmo valor que as 100 anteriores. Logo poder-se-ia ter mais dinheiro na carteira, mas comprava-se muito menos do que se comprava anteriormente. Logo ganhava-se o mesmo ou um pouco mais, mas quem não tinha bens estava cada vez mais pobre. Isto porque o Banco Central de Lisboa não precisava de anunciar ao povo que tinha lançado no país mais notas e moedas. Então quando as empresas aumentavam os salários depois de muita insistência dos sindicatos, elas sabiam que poderiam aumentar até um certo um ponto que os trabalhadores ficariam na mesma com menos poder de compra, mas felizes porque os seus salários tinham sido aumentados nominalmente apenas e os sindicatos falavam em salários nominais e salários reais. Por outro lado, quem tinha bens (de valor ou não) poderia vendê-los por um preço muito superior, descontando a inflação que é, muito simplesmente, em maior ou menor escala, o lançamento em circulação de meios de pagamento para além das necessidades do movimento económico.

Esta acção pode ser benéfica e mesmo necessária quando feita em pequena escala e com rigor e porquê? Há sempre dinheiro a sair do país: emigrantes que, quando se deslocam ao seu país levam a moeda do país onde trabalham para cambiar no seu próprio país; há turistas que levam dinheiro do país visitado para guardarem para recordação; há coleccionadores; há paraísos fiscais; há a corrupção que lava este dinheiro fora do país; … Então vai havendo cada vez menos moeda a circular no país e periodicamente o Banco Central do país emite moeda que lança para o mercado através do bancos de que nós somos clientes para colmatar esta falta. Assim não se sente a falta do dinheiro que saiu e a inflação é diminuta, não provocando nem aumentos de salários nem aumentos nos preços.

Agora o que se passa atualmente é bem diferente. Não há dinheiro a circular no país, na Europa, isto é, os bancos de que somos clientes não têm dinheiro porque há problemas muito graves a acontecer:

1- Há os paraísos fiscais que absorvem muito dinheiro europeu e aqueles encontram-se fora da Europa; logo esse dinheiro não circula na UE. Pode circular noutros países, mas não na UE.

2- O Euro incomodou muita gente porque veio desafiar o dólar que era a moeda internacionalmente aceite e moeda corrente em bastantes países. Isso fez com que se elaborassem estratégias para fazer o euro cair e o dólar voltar a ganhar o seu poder, pois o câmbio faz perder muito dinheiro.

A UE veio desafiar os blocos instituídos e os blocos emergentes e atacando a moeda – Euro – enfraquece-se também o próprio bloco – União Europeia. Como? retirando moeda do mercado. Vários têm sido os meios: emigrantes, facilitando o crédito e o endividamento exageradamente, os paraísos fiscais, exportando e não importando, …

Então o normal seria a União Europeia lançar em circulação meios de pagamento para além das necessidades do movimento económico. Depois o que fazem aqueles que retiveram enormes quantidades de Euros? Lançam-nos na União Europeia através dos seus emigrantes, turistas, concedendo créditos vantajosos e então o que acontece? Quem tem esses Euros faz compras: compra bens móveis e imóveis como empresas, bancos, … passa a dominar a economia, as finanças, … passa a dominar a União Europeia. Quando o país, UE superabunda de moeda que medidas tomam os governos? Promovem a subida dos preços e instala-se a inflação desordenada, sem controlo.

Claro que tudo isto são apenas suposições, mas é assim que se faz o dia-a-dia de todos nós.

A União Europeia pediu aos países emergentes que lhes comprassem dívida soberana, mas não é a altura adequada para quem quiser fazer algo de grande vulto. Esperam que primeiro os Bancos Centrais produzam e lancem quantidades de Euros nos países da União Europeia para suplantar a falta de moeda que atualmente existe. Depois sim, a Europa ficaria a nadar em Euros nas mãos de alguns que passariam a fazer muitas compras.(parece-me)


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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Há impostos e impostos

Trata-se apenas de um comentário, uma mera opinião.

Lagos, 15 de Novembro de 2011
Há várias políticas de impostos. Cada Governo segue as suas. A um Governo Social-Democrata espera-se que tenha políticas principalmente sociais. Por isso, é eleito. Como social-semocrata que sou, acho que, em altura de crises, os impostos devem manter-se baixos para evitar a recessão e, se possível, ajudar ao crescimento do sector da economia, pois é esse que gera riqueza de onde se vai buscar as receitas dos impostos. Se se aumentam os impostos em época de crise, “mata-se a galinha dos ovos de ouro” e depois não há ouro para ninguém; destrói-se o sector produtivo e as famílias e cada vez é menor a receita dos impostos porque o Governo levou quase todos à falência. Agora quando se quer mudar a classe empresarial, quando se quer mudar a estrutura empresarial; aí os meios justificam os fins (será?).

Pois bem, mas além disso, há outras matérias também muito importantes, neste caso, para Portugal:
  • trata-se dos impostos sobre o turismo – Portugal, cada vez mais, vive do turismo já que se destrói o seu tecido empresarial produtivo; então para não matar mais uma das poucas “galinhas dos ovos de ouro” que temos, os impostos sobre este sector têm de ser dos mais baixos da União Europeia e países congéneres. O motivo é claro: atrair os turistas para as várias e variadas belezas do nosso país e dar a conhecer ainda mais belezas que não estão ainda expostas porque (claro), aumentando as receitas do turismo, aumenta-se a receita dos impostos (não é a carga fiscal que o Governo recebe, mas sim as receitas dessa carga fiscal.)
  • trata-se dos impostos sobre a cultura – os portugueses de Portugal andam a viver uma das piores crises de que se lembram e isso deixa-nos desanimados, deprimidos e até revoltados o que não é bom para a economia e a estabilidade do país; então a cultura tem um papel importantíssimo a desempenhar neste momento em que não há presente e parece que não há futuro para ninguém. A cultura não aparece como panaceia, mas sim como uma oportunidade de conhecer outras vidas, outras culturas, outros pensamentos … Fazer trocas de espectáculos com companhias estrangeiras … é necessário levar os portugueses a esquecer por momentos as suas agruras e pensar noutras coisas, noutras situações, procurar encontrar saídas … Aliviar a alma! É necessária uma política de incentivo de deslocamento dos portugueses aos lugares onde se faz cultura, pagando o Estado uma percentagem do preço do bilhete para aqueles de mais baixos recursos e é necessário que os impostos sejam dos mais baixos da carga fiscal para que as companhias consigam manter-se e fazer o seu trabalho. Na história de qualquer país, isto sempre aconteceu. Só por ignorância, não se toma em atenção este factor – a cultura;
  • trata-se da defesa das nossas fronteiras – Portugal é um país fronteiriço e é também fronteira da União Europeia. Portugal não pode descurar a defesa das suas linhas de fronteira até como elemento dissuasor. Sabemos das apetências de muitos por este pedacinho de terra. É importante a sua defesa para não se tornar numa “república das bananas” que já está muito a caminho disso.❐  

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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Medidas Problemáticas

Lagos, 06 de Novembro de 2011
A economia pertence aos grupo das Ciências Humanas porque o seu objecto e objectivo último são as pessoas. Principalmente quem governa, seja a que nível for, não pode esquecer que toma decisões para o desenvolvimento do país que existe pela sua população e que directa ou indirectamente vai afectar pessoas positivamente ou negativamente. E também não pode esquecer que está a governar para toda a população; não só para a que o(a) elegeu. Todos são afectados pelas suas medidas e a sua obrigação é manter a população num nível satisfatório geral. Quem se sente prejudicado/injustiçado tem todo o direito de reclamar e há que ter essas reclamações em atenção porque elas são o barómetro dos resultados/consequências das medidas que vai tomando, para corrigir. Sem este barómetro poderia trabalhar muito, mas como não corrige por ignorância, vai de mal a pior até fazer cair num abismo toda a população. É muito importante qualquer governante estar atento às vozes e movimentações da sociedade em geral para ir fazendo as devidas correcções. 
Decidir cortar os subsídios de dois salários: 13.o e 14.o talvez para dar margem de negociação à oposição; foi uma decisão errada politicamente porque dá vantagem política à oposição e faz a linha política onde está inserido perder posições, pois é uma medida que afecta muita gente negativamente. É mau jogo dar tantos pontos ao adversário!
Se achava que poderia cortar apenas o subsídio de um salário; isso deveria ter apresentado logo, talvez não ganhasse pontos, mas também não perdia, oferecendo bastantes pontos à oposição. Qualquer governante está sempre a fazer política, mesmo que o seu ministério seja economia.

As empresas privadas agradecem que a Segurança Social corte estes subsídios só aos funcionários públicos e reformados e não ao sector privado; talvez o objectivo seja inverter a posição procura/interesse entre privado e estatal, demonstrando que cada vez mais o privado está a ficar mais aliciante do que o estatal. Têm esse direito!

Por outro lado, sugerir às empresas aumentar em meia-hora o horário de trabalho dos seus colaboradores, pagando o mesmo salário, para participarem no aperto que os funcionários públicos estão a sofrer para se ultrapassar a crise (?) talvez cortar-lhes estes subsídios ajudasse e não criaria vítimas e privilegiados numa sociedade tão pequena e com uma classe média tão sofrida, também foi uma decisão infeliz. As pessoas não são máquinas. As máquinas, pomo-las a trabalhar mais meia-hora e elas produzem o correspondente a essa meia-hora de produção dentro do estabelecido para produzirem.  
Então se as pessoas fossem máquinas (só que as máquinas não consomem o que é produzido só as pessoas), a empresa aumentaria talvez a sua produtividade porque

PRODUTIVIDADE DO TRABALHO – Valor acrescentado bruto (VAB) por trabalhador. Obtém-se dividindo o VAB da empresa pelo número de trabalhadores ao seu serviço. Mede a eficiência das firmas na utilização dos recursos humanos. Comparações entre a produtividade de empresas de diferentes sectores devem ser feitos com cuidado. Tal como entre sectores de actividade diferente se deve cuidadoso. Por exemplo, uma indústria de capital intensivo terá, em condições normais, uma produtividade do trabalho superior a uma indústria de mão-de-obra intensiva.

VALOR ACRESCENTADO BRUTO (VAB) – Soma das vendas totais, trabalhos para a própria empresa, variação de produções, subsídios destinados à exploração e receitas suplementares, menos os consumos intermédios. Alternativamente, o VAB poderia ser calculado somando os impostos directos, despesas com o pessoal, despesas financeiras, outras despesas e encargos, amortizações, reintegrações e provisões do exercício, perdas extraordinárias do exercício e de exercícios anteriores e resultados líquidos e subtraindo as receitas financeiras correntes, ganhos extraordinários do exercício e de exercícios anteriores.

Contudo, há que ter em atenção que mais meia-hora de trabalho implica obrigar pais e mães a ficarem aflitos com os seus filhos que estão à sua espera e mil e uma tarefas domésticas que ficam atrasadas porque estes colaboradores não ganham para ter empregadas(os) que façam estas tarefas por eles como muitos dos decisores. Então significa que eles não vão produzir o que produzem nos seus tempos mais produtivos. Pelo contrário, porque eles já estão cansados e desmotivados é muito natural que haja bastantes acidentes de trabalho neste período o que vai provocar a ausência dos acidentados por um período mais ou menos longo; logo diminuição do índice de produtividade.

Por outro lado, ter a empresa a laborar mais meia-hora implica aumento dos custos fixos, pelo menos.

E o que é que o Estado recebe a mais por toda esta situação supostamente a criar?

Nada, porque na verdade, se a empresa não conseguir vender este suposto excedente de produção não realiza dinheiro, aumenta os custos dos produtos em armazém e os seus lucros não apresentam aumentos no final do exercício anual e portanto não há aumento de impostos para o Estado.

Na verdade, esta medida sugerida parece mais um castigo para os trabalhadores do privado, significando que o cortes nos salários do sector estatal é feito como um castigo. Mas como? De que culpa são estes acusados? Não foram eles os causadores da crise em nenhuma fase desta.

Estamos numa fase de recessão e muitas empresas não conseguem vender o que produzem ou os serviços que prestam e por isso há tantas empresas a falir. Como se justifica este suposto aumento de produção? Os empresários/gestores devem pensar 'mas vamos vender este excedente de produção a quem? Só se for ao Senhor Ministro!!!!'

Nada disto faz sentido!!!!!!!!

A solução não está em aumentar a produção, baixando o custo da mão-de-obra operacional que está a um nível terceiro-mundista e, por isso, com o apoio dos restantes países da UE, nos últimos tempos, Portugal vinha a aumentar anualmente o salário mínimo. Agora temos problema quando a empresa paga salários terceiro-mundistas aos colaboradores operacionais e paga salários superiores aos salários dos quadros superiores congéneres nos países mais desenvolvidos economicamente da União Europeia quando eles apresentam volumes de vendas muito superiores aos das empresas portuguesas. A solução não passa por escravizar os colaboradores operacionais, mas resolver o problema dos salários dos quadros superiores e encontrar mercados para vender a produção nacional.❐   
mailto:maria.c.figueiras.portugal@gmail.com

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